RJ CIDADES – REDAÇÃO – 22 DE MAIO DE 2026
O encalhe da embarcação Skandi Amazonas, ocorrido na última semana na Praia Campista, em Macaé, transcendeu a crise náutica e reacendeu um dos debates econômicos mais complexos do Estado do Rio de Janeiro: a redistribuição dos royalties do petróleo pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O incidente, que mobilizou autoridades locais devido ao risco ambiental, foi utilizado pelo prefeito Welberth Rezende para contestar a divisão das verbas com municípios não produtores. Para o Executivo macaense, o susto serve como prova factual de que os royalties não são um privilégio financeiro, mas uma compensação direta pelos riscos e impactos ambientais e sociais suportados pelas cidades que abrigam a cadeia de óleo e gás.
“Neste momento de discussão no STF, é fundamental ressaltar que impactos como este ocorrem justamente nos municípios produtores. Isso reforça que os royalties são uma compensação legal pelos danos e riscos gerados pela exploração”, defendeu o prefeito Welberth Rezende.
O cenário atual da embarcação e a resposta da DOF
Com base em dados da própria operadora da embarcação, a DOF, o rebocador — que presta serviços de ancoragem submarina para a Petrobras — chocou-se contra um banco de rochas.
Apesar do forte apelo político e do temor inicial de uma catástrofe ecológica na Praia Campista, a DOF informou que a situação está controlada e monitorada.

Dados gerais do incidente:
Tripulação original: 29 profissionais a bordo no momento do impacto.
Status atual: 8 trabalhadores permanecem na unidade em regime de revezamento para garantir a operacionalidade.
Danos ambientais: A empresa garante que, até o momento, não houve vazamento de óleo ou qualquer contaminação da água.
Próximos passos da operação:
Equipes multidisciplinares e especialistas em salvamento de embarcações (salvage) foram mobilizados junto a barcos de apoio para planejar o desencalhe e o reboque seguro da estrutura até um estaleiro. Os órgãos reguladores competentes já foram notificados e acompanham o plano de retirada do rebocador.
O peso do debate no STF para a Bacia de Campos
A estratégia de Macaé em usar o acidente como argumento político visa blindar a economia local. Caso o STF decida pela constitucionalidade da nova regra de partilha dos royalties, municípios produtores do estado do Rio podem perder bilhões de reais em receitas — verbas que, segundo as lideranças locais, são a única garantia para custear a infraestrutura de saúde, segurança e contingência exigida pelo setor de energia.


























